ESTRIAS

ESTRIAS

As estrias são processos benignos cutâneos degenerativos, caracterizados por lesões atróficas em trajeto linear, que variam de coloração de acordo com sua fase evolutiva.

É considerado processo de natureza estética, uma vez que não gera incapacitação física ou alteração da função cutânea.

Epidemiologia

Acometem em sua maioria mulheres (60%) entre 9 e 35 anos de idade. Caráter genético é considerado, visto que acometem gêmeos homozigotos de um mesmo modo. Gestações em primíparas (primeira gravidez) com ganho de peso acima de 15kg e que tem filhos de maior peso ao nascimento são associadas a estrias. Há relados de surgimento de estrias em 90% das gestantes, em abdome e/ou mamas. Em outro estudo, 37 de 60 mulheres gravidas excluídas as gestações patológicas, desenvolveram estrias gestacionais com predomínio da região abdominal em relação às coxas e quadril.

Etiopatogenia: como surgem as estrias.

A sua patogênese ainda não é completamente conhecida. Os trabalhos científicos reconhecem sua natureza multifatorial.

As mudanças das estruturas que suportam a força tênsil e elasticidade geram um afinamento do tecido conjuntivo que, aliado a maiores tensões sobre a pele, produz as estriações cutâneas. São unanimemente reconhecidos fatores físicos, hormonais e imunológicos.

Fatores nutricionais podem estar presentes em sua origem, uma vez que anorexia nervosa é causadora de estrias em 12,5% das pessoas analisadas.

Há redução da expressão gênica para formação de pró-colágeno I e III, fibronectinas, elastina e beta-actina quando estudados em comparação com áreas de pele normal, o que indica alteração do metabolismo de fibroblastos na estria.  

Análise ultra estrutural revelou alterações na derme da área com estrias em relação à área de pele normal. Nessas áreas, a matriz dérmica apresentava-se mais fina e flocular.

A tração contínua da matriz dérmica extracelular, como ocorre na gravidez, pode remodelar o padrão elástico em indivíduos suscetíveis e se manifestar clinicamente como estrias distensíveis. O estudo imunoistoquímico demonstrou presença de anticorpos monoclonais contra colágeno tipo I e III, fibronectina e elastina.

Quadro clínico

São queixas comuns em consultórios dermatológicos e costumam aparecer em adolescentes que estão em fase de estirão de crescimento, mesmo sem estar associada à obesidade ou outros fatores mórbidos.

Ocorrem, preferencialmente, em glúteos, mamas, coxas e pernas, podendo também surgir em abdome, axilas e braços.

Apresentam-se como linhas de aspecto atrófico central com coloração que oscila do eritema purpúreo nas lesões recentes, ao branco nas mais antigas. O prurido (coceira) é muito comum e referido nas fases iniciais. A evolução natural do processo dura de 6 a 12 meses, período no qual as estrias naturalmente esmaecem em coloração o que dá impressão de melhora e o que torna a avaliação objetiva dos vários tratamentos, muito subjetiva.

Tratamento

O tratamento é individualizado, portanto é essencial uma avaliação criteriosa realizada por profissional habilitado. Abaixo, algumas opções de tratamento:

Cosméticos

Alfatocoferol; extrato de Centella asiática; hidrolisados de colágeno em creme; lactato de amônio.

Laser e Luz Pulsada

- dye laser 585nm (vem sendo utilizado para o tratamento de cicatrizes hipertróficas, queloides e estrias), fazem uma remodelação da cicatrização, com regressão de vasos neoformados e migração de fibroblastos, melhora o aspecto tanto da cicatriz quanto das estrias. Há evidencias histológicas de aumento das fibras elásticas e redução clínica das estrias após o uso de dye laser em fluências baixas (3J/cm2 e feixe de 10mm de diâmetro).

- laser de dióxido de carbono (CO2) vem sendo utilizado para pulverizar as cicatrizes hipertróficas, porém, com ressalvas quanto ao agravamento dessas condições.

- laser de neodímio ítrio alumínio granada (Nd: YAG de 532nm): com fluências de 13 a 18J/cm2, em feixes de 4mm de diâmetro e pulsos de 30 a 50mseg. Demonstrou bons resultados em estrias recentes em pacientes com pele clara (Fototipos I e III), não bronzeados. As sessões são mensais, e em torno de 5 sessões em cada área tratada. Os resultados são lentos, porém constantes. Houve uma redução em largura, extensão e textura das lesões que são facilmente percebidas pelo médico e pelo paciente.

- laser Nd:YAG de 1.320nm: de pulso longo ou fracionado e a luz infravermelha longa fracionada de mesmo modo seriam absorvidos pelas moléculas de colágeno, as quais, ao se romperem criariam um estado de remodelagem dérmica com melhor preenchimento das cicatrizes de estrias, acne e demais cicatrizes atróficas.

- Luz pulsada: demonstrou bons resultados, com clareamento de estrias rubras, com confirmação histológica.

Outras opções terapêuticas:

Radiofrequência: a radiofrequência bipolar trouxe respostas comprovadas histologicamente em estrias abdominais e indicada também para a flacidez cutânea e rugas, em que promove remodelamento do colágeno, também conhecido como skin tightening. Vantagens: não invasivo, indolor, não depende de exposição solar, e pode ser feito em peles bronzeadas. Sessões: 6 a 8 quinzenais.

Subincisão ou deslocamento dérmico: descrita no ano 2000, por dermatologistas brasileiros. A técnica inicial era para tratar Lipodistrofia ginóide e foi aceita em todo o mundo, sendo usada a partir daí, no tratamento de elevações de cicatrizes atróficas pós-traumática e, em cicatrizes distensíveis de acne isoladamente, ou associada ao laser Nd:YAG 1.320 nm, com resultados ainda melhores. Ainda há poucos estudos para as estrias, alguns casos com necrose epidérmica.

Camouflage (ou maquiagem corretiva): pode ser de valor inestimável. Novos produtos, opacos, oferecem efeito fotoprotetor e mostram-se resistentes à agua. Pode ser um adjuvante necessário, ou único recurso para os casos complexos, portanto, o médico deve ser criterioso em sua avaliação.

Luz UVB foi usada para induzir repigmentação das estrias pelo aumento do número e da atividade do melanócitos. O que pode ser usado para o aspecto estético das estrias.

Microdermoabrasão associada ao peeling químico de ácido retinoico, assim como a introdução de gás carbônico na estria (espaço subcutâneo) na carboxiterapia são novidades que trazem resultados animadores.

 

 

Referências Bibliográficas:
Belda Júnior W; Di Chiacchio N; Criado P. R. Tratado de Dermatologia. 3ª. edição. São Paulo: Ed. Atheneu; 2014.
Maio, Maurício de; Almeida, A. R. Tratado de medicina estética. 2ª. edição. São Paulo: Ed. Roca; 2017.
https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas