CELULITE

CELULITE

Entende-se por Lipodistrofia ginoide ou celulite, um complexo de alterações no tecido adiposo, resultando na formação de macronódulos na superfície cutânea.

Epidemiologia
Acomete exclusivamente as mulheres, em quem o fator hormonal influi na disposição das células adiposas e nos compartimentos interlobulares.

Fisiopatogenia: como surge a celulite.
É uma afecção evolutiva, causada por edema do tecido conectivo e pela polimerização de mucopolissacarídeos, que aumentam a capacidade de retenção de água.

Primeiro estágio: o processo inicial caracteriza-se por microestases sanguínea e linfática localizadas, provocando alteração no tecido dermo-hipodérmico, com transudamento capilar e consequente edema tecidual.

Segundo estágio: é o infiltrativo, caracterizado por degeneração das fibras colágenas e elásticas, com consequente “floculação” do tecido conectivo (micronódulos).

Terceiro estágio: (organizativo-fibroso) acompanha-se de um processo de eliminação de catabólicos, formando uma trama profunda e compacta de elementos vasculares e celulares transformando os micronódulos em macronódulos.

Quarto estágio: (fibrocicatricial) onde o tecido conjuntivo dermo-hipodérmico é acometido por um processo único de esclerose, caracterizado praticamente por acúmulos e com uma capacidade quase nula de eliminação.

Fatores etiológicos

  • Fator predisponente: herança genética
  • Fator desencadeante: hiperestrogenismo (gatilho do processo e protagonista de maior responsabilidade na evolução, no agravamento e perpetuação do quadro).

Fatores coadjuvantes:

Endógenos: relacionados aos distúrbios metabólicos: insulina, hormônios tireoidianos, prolactina, hormônio luteizante (LH), glucagona, hormônios adrenais e gestação. 

Exógenos: dieta hipercalórica, hiperlipídica, insuficiente de (proteínas, fibras, líquidos, sais minerais, e oligoelementos). Oligoelementos (crómio, ferro, flúor, iodo, cobalto, cobre, magnésio, molibdénio, níquel, selénio, vanádio, zinco e o estanho).

Sedentarismo: em razão da queda de gasto calórico, diminuição de massa muscular, aumento da gordura corporal, alteração no fluxo sanguíneo dificultando a oxigenação e as trocas metabólicas nos tecidos.

Patologias agregadas: contribuem por meio de mecanismos múltiplos. Por exemplo: doenças genéticas associadas à obesidade e doenças glandulares, metabólicas, neurológias, ginecológicas, entre outras.

Iatrogenia/drogas: hormonioterapia (pílulas combinadas de estrogênio e progesterona), anti-histamínicos, anti-tireoidianos, beta-bloqueadores, entre outros.

Classificação

Grau I: Não há comprometimento “visível” (não há problemas cosméticos a tratar). Os primeiros eventos na formação da celulite estão ocorrendo a nível molecular e celular; o fator hormonal é de grande implicação nesse estágio.

Grau II: Os tecidos dérmicos e subdérmico se deterioram mais pronunciadamente. Observa-se heterogeneidade nos vasos sanguíneos das áreas atingidas. Algumas áreas têm fluxo sanguíneo normal, outras reduzido ou estase. Os adipócitos, cheios de lipídios, aglomeram-se na camada gordurosa, o que acaba por exacerbar as alterações microcirculatórias, com os vasos sanguíneos sendo pressionados pelas regiões ricas em depósitos gordurosos.

Os efeitos superficiais são mínimos, não sendo, ainda, observada a aparência em “casca de laranja”. Em geral, são observados microrelevos cutâneos.

Grau III: A deterioração vascular promove alterações na derme, resultando em redução no metabolismo dérmico. A síntese de proteínas e os processos de reparação são mínimos, levando ao afinamento dérmico. Depósitos proteicos reticulares começam a se originar ao redor dos depósitos de gordura na pele.

O pinçamento da pele entre o polegar e o dedo indicador permitem visualizar o efeito “casca de laranja”.

Grau IV: O estágio IV ou final apresenta nódulos na região dérmica, consistindo de gordura e adipócitos cercados por rígida camada de proteína reticular. A superfície passa a apresentar considerável heterogeneidade.

Os nódulos rígidos que podem ser altamente sensíveis (dolorosos), podem ser localizados por pinçamento da pele das regiões afetadas.

Tratamento

Dieta

Deve ser hipocalórica, hipoglicídica, hipolipídica, rica em fibras, vitaminas e sais minerais, além de haver maior aporte hídrico. Deve se incluir sempre atividade física, com o objetivo de aumentar o gasto energético, melhorar as trocas metabólicas para aumentar o potencial lipolítico das células adiposas e aumentar os retornos venosos e linfático.

Lipólise

O controle da lipólise é hoje reconhecidamente exercido por um mecanismo mediado em parte pelo sistema nervoso central, por meio da ação de receptores α-2 e β-adrenérgicos situados na superfície dos lipócitos.

  • Estimuladores β-adrenérgicos: estimulam a lipólise
  • Inibidores α-adrenérgicos

Intradermoterapia

São administradas microdoses de medicamentos em profundidades variáveis de 2-6mm, o mais próximo possível do local afetado. As substâncias podem ser injetadas com seringas normais ou pistolas, ambas com agulhas de 4mm de comprimento.

A punção com agulha causa vasodilatação local e ação reflexa, favorecendo a liberação de mediadores químicos e neurotransmissores, como a encefalina, beta-endorfinas, substância P e proteína relacionada ao gene da calcitonina.

Tais substâncias agem na liberação de outros mediadores, na vasodilatação, no aumento da permeabilidade vascular, na angiogênese e na ativação de células do sistema imunológico.

Os medicamentos injetados são substâncias hidrossolúveis, isotônicas, com pH adequado ao tecido subcutâneo (neutro), não oleosas e não sensibilizantes.

Existe uma classificação farmacológica dos medicamentos, na qual deve ser enquadrado o grau de Lipodistrofia ginóide para se obter melhor resultado.

Drenagem linfática

Pode ser de dois tipos e ambas melhoram a alteração circulatória concomitante à Lipodistrofia ginóide. Pode ser manual ou por pressoterapia (vacuoterapia).

Tem efeitos na redução do edema, relaxante, analgésica e defensiva, com a estimulação de linfócitos no leito linfático. Associar com outros métodos aumenta os resultados.

Ultrassom

É usado tanto no tratamento da gordura localizada quanto da Lipodistrofia ginoide. É capaz de promover a vasodilatação local, estimulando a microcirculação dermo-hipodérmica.

Endermologia / Vacuoterapia

Essa técnica visa melhorar a parte circulatória e o estágio fibroso propriamente dito. São usados aparelhos que funcionam como ventosas na pele, fazendo com que haja uma quebra nas traves de fibrose existentes na Lipodistrofia ginóide, além de estimular a vasodilatação e drenagem dos linfáticos e liberação de substancias vasoativas e neurotransmissores.

Laserlipólise

O laser utilizado é neodímio ítrio alumínio granada Nd:YAG (1,064mm).

Eletrolipólise

Consiste em veicular corrente elétrica de fraca intensidade, por intermédio de agulhas, diretamente no tecido adiposo, através da pele.

Radiofrequência

A RF Bipolar proporciona um aquecimento da derme profunda, estimulando o metabolismo local, causando efeito lipolítico. Há estimulação de fibroblastos visando a Neocolagênese e produção de elastina, que aumentam o tônus e a firmeza da pele da região tratada.

Fotobiomodulação com luz de led infravermelho

O infravermelho também estimula a derme, aumentando o metabolismo celular e auxiliando na reabsorção de edemas e intercambio de oxigênio entre as células.

Subincisão

É um procedimento cirúrgico onde são removidas as traves fibrosas que causam as depressões da celulite. É realizado com agulhas especiais e sob anestesia local.

 

 

Referências Bibliográficas:
Belda Júnior W; Di Chiacchio N; Criado P. R. Tratado de Dermatologia. 3ª. edição. São Paulo: Ed. Atheneu; 2014.
Maio, Maurício de; Almeida, A. R. Tratado de medicina estética. 2ª. edição. São Paulo: Ed. Roca; 2017.
https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas